Arte e Educação para a Transformação Social – Prof. Mr. João Paulo de Souza – Marília/2010

Planeta Sustentável: Horta de Fundo de Quintal

Horta de fundo de quintal


Já faz umas boas semanas que não compro hortaliças no mercado. Graças a algumas horinhas de trabalho na horta de casa, preparar a salada para as refeições agora envolve colher folhas fresquinhas e orgânicas a poucos metros da cozinha. Um luxo, aliás, ao alcance de muitos de nós – desde que se tenha um pouco de vontade e tempo para cuidar.

Aqui na casa da cidade, na fronteira com a zona rural de Piracaia, SP, somos quase uma pequena ecovila urbana. Enquanto minha casa na Ecovila Clareando vai, aos poucos, ficando pronta, vivo a experiência de compartilhar espaços e momentos com um casal de amigos e sua filhinha de apenas quatro meses. No mesmo terreno, temos duas casas, duas cachorras e… uma horta comunitária.

Os maridos, sorte nossa, têm dedo verde. Preparam a terra, semeiam, regam. As mulheres da casa ajudam sempre que podem, mas, em geral, ficam com a tarefa de colher as folhas, lavá-las e preparar uma salada bem bonita para enfeitar a mesa e saciar o corpo e o espírito.

Não sei se você já teve a oportunidade de coletar verduras direto da horta para comer minutos depois. É incrível a sensação de alimento vivo, fresco, saudável. Sem falar no prazer de ver o quanto as coisas simples podem ser tão gostosas, cheias de sentido. Sinto-me imensamente grata quando vou à horta buscar umas folhas de alface, couve, rúcula (foto), espinafre e manjericão, mais um punhado de rabanetes e nabos. Em segundos, tenho nas mãos um buquê de verdes intensos, brilhantes, deliciosos. Basta lavá-los e acrescentar um fio de azeite e um pouquinho de limão para que o almoço seja motivo de festa.

Nossa horta está conectada com vários elementos da casa, o que fortalece suas qualidades holísticas e de permacultura. Os resíduos orgânicos da cozinha são levados para a composteira, que fica num cantinho da horta, com uma torneirinha na parte inferior, que serve para extrair o chorume, um poderoso fertilizante que pode ser usado ali mesmo, bastando diluí-lo em muita água. O composto, depois de pronto, tem destino certo, é claro.

Por conta da composteira, o volume de lixo que é destinado à coleta da prefeitura émuito reduzido. Para você ter uma ideia, como separamos os recicláveis, costumo colocar um saquinho de lixo a cada 15 dias na porta de casa. E nada mais.

Outro elo da nossa horta está na lavanderia da casa dos amigos-vizinhos, com bebê em fase de fraldas ecológicas, que precisam ser lavadas quase que diariamente. Para economizar água, eles montaram um sistema simples que reaproveita a água do último enxágue da máquina de lavar roupas (na qual só entra sabão de coco) para irrigar a horta, por meio de mangueiras de jardim com pequenos furos que direcionam a água para a terra.

Uma pequena farmácia natural também tem lugar na horta. Anteontem mesmo colhi umas folhinhas de alfavaca-cheiro-de-anis (também conhecida como atroveran) para fazer um chá e aliviar a cólica menstrual. Ainda temos hortelã para relaxar à noite, manjericão para temperar, alfazema para ajudar a combater tosses e alergias respiratórias, alecrim para revigorar, para preparar banhos aromáticos, para dar um sabor especial aos alimentos…

Nossa horta ainda atrai passarinhos que vêm se alimentar de pequenos insetos. O joão-de-barro e o bem-te-vi adoram nos visitar. Em retribuição, preparamos um comedouro com restos de frutas que fazem um pit stop antes de irem para a composteira…

Enfim, uma horta no fundo do quintal é uma experiência incrível para quem quer começar um caminho sincero de reconexão com a natureza. Mexer com a terra, prestar atenção naquilo que comemos, no lixo que geramos e nos efeitos que esse pequeno espaço provoca no nosso entorno dá uma ideia do quanto podemos fazer para melhorar nossas vidas nas cidades.

Até as fases da lua chamam mais nossa atenção porque interferem diretamente no desenvolvimento das plantas. Da mesma forma, ficamos mais atentos aos ventos fortes, às chuvas e ao sol ou frio intensos, que também alteram nossos alimentos caseiros.

Não é preciso ter muito espaço nem querer ter autonomia plena logo nos primeiros meses. Comece pelo começo, devagar, testando suas possibilidades e conhecimentos. Em poucos metros, que podem até ser verticais (em muros ou paredes), é possível cultivar mais do que costumamos ingerir de hortaliças e verduras. Se bem que com tantos sabores, outro efeito que se costuma ter com hortas caseiras é o de aumentar o consumo de saladas nas refeições. Nada mal, não? Criar ciclos virtuosos é o grande dom das hortas, que nos ensinam sem dizer nada, sem pedir nada. E, no entanto, acredite: elas são capazes de nos fazer rejeitar natural e gradativamente tudo aquilo que não cabe mais nesse planeta. Experimente!

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/home/

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